“NASCEMOS NO MEIO DE UM DESAFIO”


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Sócia e diretora executiva do Colégio Digital fala sobre a primeira escola do DF que ofereceu aulas remotas síncronas

O Colégio Digital, inaugurado este ano no Jardins Mangueiral, foi o primeiro do Distrito Federal a oferecer aulas remotas síncronas como medida de enfrentamento à pandemia. O alto preparo dos professores e a gestão moderna da escola arrancaram elogios da comunidade pela surpreendente, rápida e efetiva resposta da unidade de ensino aos desafios impostos pela Covid-19. Para falar sobre o assunto, INFLUÊNCIA vou ouvir a professora Catarina Fontoura Costa, sócia-proprietária e diretora executiva do Digital. Como Catarina diz, “o Digital nasceu no meio de um desafio”. E o venceu.

REVISTA INFLUÊNCIA: Antes de conversamos especificamente sobre o Colégio Digital, gostaríamos de ouvi-la como educadora. Como uma das executivas de Educação mais experimentadas e bem-sucedidas dos últimos 30 anos em Brasília, como a senhora enxerga o poder transformador da arte e da missão de educar, principalmente em se tratando de um país como o Brasil, com tantas e trágicas diferenças sociais?

PROFESSORA CATARINA FONTOURA COSTA: Falar sobre o poder transformador da educação pode parecer muito complexo, porém se fizermos uma leitura histórica e social do desenvolvimento da sociedade brasileira é perceptível e até de fácil compreensão identificar o papel transformador da educação nas últimas décadas.  A partir dos anos 2000 com a democratização do Ensino Superior, viabilizando que os cidadãos das classes menos favorecidas tivessem oportunidades para buscar uma qualificação profissional e assim ingressar no mercado de trabalho mais preparados e também mais valorizados, ocorreu uma das mais expressivas transformações culturais e sociais da história da educação. Esta ascensão social só foi possível pelo empenho e missão das Instituições de Ensino Superior que conceberam e consolidaram um modelo de educação de qualidade e capaz de respeitar o perfil dos estudantes trabalhadores. Na Educação Básica, apesar de todos os esforços e empenho dos educadores e das Instituições de Ensino, o modelo educacional transformador está sendo concebido e deverá ser consolidado na próxima década.

INFLUÊNCIA: O Colégio Digital foi a primeira escola – entre privadas e públicas – do Distrito Federal a oferecer as aulas remotas síncronas, logo na segunda semana de isolamento social na capital do país. Foi a resposta mais rápida e efetiva entre todos os atores do sistema educacional brasiliense. Como e por que isso foi possível?

CATARINA: O Colégio Digital foi fundado em 2020 com a finalidade de ser uma Instituição de Ensino comprometida com a educação do futuro, hoje. A partir do segundo decreto do Governador do Distrito Federal, suspendendo as aulas por um tempo maior, entendemos que os nossos alunos não poderiam ficar sem aulas. Diante do Isolamento Social tínhamos que agir rápido para não dar espaços ao medo e à insegurança que começou a fazer parte da vida das pessoas. Dar aulas, incentivar o estudo e o aprendizado poderia ser a melhor forma de contribuir com a saúde dos nossos alunos e das suas famílias. A equipe de gestores do Colégio Digital teve competências e habilidades para planejar as aulas remotas, criar um colégio virtual na nossa plataforma de ensino, preparar os professores e buscar a parceria dos pais para este novo modelo de aula fosse implementado.  Foi um grande desafio, onde iniciamos de forma emergencial e a medida que o tempo foi passando fizemos todos os ajustes e aprimoramentos. Estamos satisfeitos com os resultados e reconhecemos a competência e a dedicação dos nossos professores e gestores educacionais.

INFLUÊNCIA: O retorno às aulas presenciais no Distrito Federal transformou-se em uma discussão bizantina; entre idas e vindas do GDF, dos sindicatos patronais e dos professores e das próprias escolas. Como a senhora avalia a situação?  É seguro voltar?

CATARINA: Entendemos que as divergências fazem parte de uma sociedade democrática. Respeitamos e aprendemos com as diferenças. O Governador do Distrito Federal soube a hora de suspender as aulas e a hora de voltar ao presencial. Não podemos afirmar que voltar é totalmente seguro, pois existem muitas variáveis incontroláveis. Porém, nós do Digital preparamos o colégio com muita responsabilidade e respeito à vida de todos os envolvidos. Estamos tendo todo o cuidado com os profissionais do Colégio, em especial com os professores, patrocinamos atendimento médico, exames para quem necessitar e estamos oferecendo todos os equipamentos de proteção e segurança. Elaboramos protocolos para todos os procedimentos e contamos com a participação dos pais para que os nossos alunos sejam bem orientados e cuidados tanto em casa como no colégio. Podemos afirmar que segurança total não existe em nenhum lugar, mas confiamos que juntos saberemos nos proteger e superar esta fase, que realmente apresenta muitas dificuldades e desafios.

INFLUÊNCIA: O Colégio Digital foi inaugurado em janeiro, iniciou suas aulas em fevereiro e, com a chegada da COVID-19, entrou em isolamento social em março. Foram pouco mais de 30 dias de aulas presenciais para uma escola que estava começando sua história. Já são seis meses de aulas remotas síncronas. Podemos dizer que o Digital, que se apresenta como a escola do futuro, começou de fato “neste futuro”, oferecendo um sistema inovador de aulas remotas síncronas?

CATARINA: Em primeiro lugar podemos dizer que o Colégio Digital não conhece rotinas estáticas, pois no primeiro ano de existência foi necessário criar e implantar três modelos de ensino, ou seja: o ensino presencial, o ensino remoto e agora o ensino hibrido. Como escola aprendemos muito com todos estes desafios e entendemos que 2021 será uma nova fase, onde o ensino será muito diferente do que era ministrado em 2019. Lamentamos que esta mudança tenha ocorrido em um período de pandemia, porém agilizou mudanças na educação, que já deviam ter acontecido.

O Colégio Digital tem na sua identidade o compromisso com a formação de pessoas plenamente desenvolvidas e que assim serão sempre capazes de alcançar bons resultados em todas as circunstâncias. Onde um aluno do Colégio Digital colocar a sua digital queremos que ações inovadoras e bem-sucedidas aconteçam.

INFLUÊNCIA: De forma prospectiva, como a senhora vê a Educação daqui para a frente, depois desta “revolução forçosa”, por meio da qual gestores e professores foram obrigados a descobrir, pesquisar, testar e consolidar uma nova forma de ensinar?

CATARINA: No momento atual o novo modelo de escola está sendo concebido pelas escolas individualmente ou pelas redes de ensino. Porém, acredito que este novo modelo vai exigir mudanças estruturais no sistema de ensino brasileiro. No Brasil temos a Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, como política educacional do Ministério da Educação, que ainda não foi totalmente implantada e que tem uma concepção inovadora. Esta Base Nacional Comum tem elementos norteadores que podem promover uma mudança consistente no sistema de ensino. Porém, temos muitas leis complementares, sejam nacionais, estaduais e no nosso caso distrital, que também vão precisar de ajuste e de mudanças, pois caso contrário será muito difícil criar e implantar um novo modelo de escola para uma educação realmente nova e inovadora.

INFLUÊNCIA: Voltando um pouco às recentes origens do Digital.  Por que a escolha do Jardins Mangueiral como “terra prometida”? Como ponto de partida para um inédito projeto educacional?

CATARINA: Os mantenedores do Colégio Digital sempre foram muito simpáticos à ideia de ter um colégio no Jardins Mangueiral por ser uma Região nova, onde ainda não tinha nenhum colégio. Até o momento o Colégio Digital é a única Instituição de Ensino genuinamente nativa, a única no Mangueiral. Identificamos o Jardins Mangueiral como um projeto ousado, bem estruturado, com uma população significativa e que merece ter todos os serviços com a mesma qualidade e distinção que tem o projeto que concebeu e construiu a cidade. Podemos dizer que nos identificamos com os ideais e objetivos do Jardins Mangueiral. O Colégio Digital tem muita satisfação e até orgulho por ser o colégio da região.

INFLUÊNCIA:  A senhora considera que, habituadas a um novo modelo de ensino – o remoto síncrono – as escolas que o abraçaram com competência e desenvoltura técnica e profissional, como foi o caso do Digital, não ficarão tentadas a continuar adotando-o em alguns casos?  Ou seja, o presencial, como o conhecíamos, jamais voltará a ser praticado da mesma forma? Estamos diante da quebra efetiva de um paradigma?

CATARINA: Quando afirmamos que a escola de 2021 será bem diferente da escola de 2019, entendemos que a experiência feita em 2020 será incorporada nas práticas da escola do futuro. O conceito de educação hibrida é bem abrangente e vai muito além de ministrar aluas presenciais e remotas de forma simultânea, é uma concepção de método de ensino e de aprendizagem que pode e deve ser integrada às práticas pedagógicas da escola. Ao mesmo tempo, experiência nos mostrou que há uma nova forma de fazer reuniões de pais, seminários de estudos e treinamentos com os professores que não precisa ser presencial para ser de qualidade e alcançar os objetivos pretendidos. Estes seis meses de aulas remotas, proporcionaram muitas outras vivências, que serão incorporadas no cotidiano da escola. No Colégio Digital, a educação do amanhã realmente aconteceu hoje.